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Michelangelo Antonioni: Blow Up - 3.0 out of 5based on 1 vote

Blow Up: um filme que se comunica através da fotografia

Antonioni Blow Up

 Ano:1966
 Gênero:Suspense
 Diretor:Michelangelo Antonioni
 Atores:David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles

O suspense sempre é um protagonista nos filmes do mestre Antonioni e em Blow Up não é diferente. O filme é escancaradamente um suspense, em que, os espectadores já sabem (ao ler previamente a sinopse) que se trata de um filme sobre a resolução de um mistério, mas se enganam aqueles que acreditam que o longa se resume a isso ou que o mistério será revelado no final. Para começar nem se sabe ao certo se houve ou não morte na narrativa, o que torna tudo ainda mais obscuro e envolvente. Na história, o fotógrafo Thomas se depara com umas fotografias que tirou em um parque que capturaram algumas cenas aparentemente comprometedoras, inclusive de uma pessoa portando uma arma, mas não há nada explícito e, para falar a verdade, nem sugestivo do que tenha ocorrido naquele dia.

Em suas obras anteriores Antonioni sempre buscou criticar a incomunicabilidade das pessoas e a sociedade contemporânea como um todo, em que as pessoas privilegiam satisfazer seus próprios interesses e ambições ao invés de valorizar coisas muito maiores e abstratas como o amor e a ética que deveriam ser os principais motes do ser humano. A repugnância ao ser humano sempre esteve bem definida em seus filmes, mas neste a crítica sofre uma certa reviravolta ao cutucar diretamente e, de forma admirável, a vida moderna e como uma pessoa se depara, lida e reage a tudo isso. No caso de Thomas o assunto é ainda mais crítico e grave, pois percebe-se que ele já se acostumou com a sua situação e que nada o causa mais espanto, pois já se adaptou às exigências e pressão da sociedade moderna e sucumbiu às suas influências.

Outra crítica ainda mais profunda e que se diferencia de muitos outros cineastas é a indagação sobre  se tudo que é visto em uma imagem, seja fotográfica ou televisiva, é real. Questiona sobre se as pessoas devem ou não acreditar em tudo aquilo que veem e se não podem cair nas armadilhas dos seus próprios olhos ou de julgamentos prévios. Essa dependência que as pessoas têm da visão se fortalece no filme e aquela velha história do "só acredito vendo" se mostra perfeita na narrativa, em que, através das fotografias de Thomas, algo que poderia ser facilmente resolvido, se transforma em uma bola de neve e em um eterno caminhar em busca da "verdade", mas, que verdade é essa ninguém sabe, nem nunca se saberá.

O filme é belo, principalmente por priorizar o uso da linguagem fotográfica e apelo das imagens ao invés dos diálogos. Além disso, o filme é rodado em Londres, o que, por si só, já é um deleite para os espectadores que podem acompanhar o fotógrafo nos seus passeios pelas ruas coloridas da efervescente cidade em busca de novos cliques. Algumas cenas demonstram também o tédio do personagem e das pessoas de uma forma geral que aparecem em breves participações . O encontro com os mímicos, as cenas de um show de rock onírico e psicodélico e até mesmo o suposto assassinato são coisas que aparecem para desconstruir e para dar uma revigorada naquilo que parece estar fadado ao melancólico em uma vida sem graça e sem emoção.  

Um contraponto muito interessante que Antonioni coloca é comparar o fotógrafo com o grupo de mímicos que também aparece no final do filme. O fotógrafo, inicialmente representa o real e sua câmera profissional é como uma extensão do seu corpo que registra cenas realistas (mas, até que ponto?) enquanto que o grupo de mímicos são artistas que usam o inexistente como objeto artístico. O final é perfeito, pois desconstrói o pensamento de Thomas e de nós todos quando ele, ao assistir um jogo de tênis de mímica, consegue entrar na brincadeira e repassar uma bola imaginária aos jogadores, como se aceitasse a falsidade presente no pensamento realidade. Ao mesmo tempo começamos a ouvir a bola quicar e o falso (a bola) ganha características reais e o que imaginávamos como reais (como o fotógrafo) desaparece, mostrando que não passava de uma ilusão e exemplificando com perfeição como não podemos confiar em tudo que vemos. Genial em vários sentidos, essa obra merece lugar de destaque nas listas dos europeus!

 
3.51111111111Rating 3.50 (1 Vote)
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