Header Divider

Daniel Ribeiro: Hoje eu quero voltar sozinho - 4.0 out of 5based on 1 vote

Hoje eu quero voltar sozinho é uma continuação perfeita do curta

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho Critica

 Ano:2014
 Gênero:Drama, Romance
 Diretor:Daniel Ribeiro
 Atores:Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim

Daniel Ribeiro surpreendeu com seu primeiro longa-metragem “Hoje eu quero voltar sozinho” que podemos dizer que é uma continuação do curta “Hoje eu não quero voltar sozinho” de 2010, curta aclamado pela crítica e premiado em festivais, além de ter superado os três milhões de acessos no Youtube. Não é para menos que “Hoje eu quero voltar sozinho” foi um filme muito esperado pelo grande público e críticos do mundo todo. Estreou no Festival de Berlim agradando aos telespectadores e foi exibido nos cinemas brasileiros em março deste ano, surpreendendo conservadores.

O longa é um belo filme sobre o amor. Por mais que traga um personagem cego e homossexual, o filme é muito mais sobre a descoberta do amor, as relações cotidianas, a adolescência, do que qualquer outra coisa. Enquanto poderíamos esperar por um filme clichê e apelativo por tratar de dois temas fortemente polêmicos e ainda tabus para a sociedade que é como lidar com deficientes, neste caso, visuais e como aceitar os gays, na verdade, encontramos um filme leve, belo, com pitadas de drama e humor, tudo sob medida.

O diretor Daniel Ribeiro soube, como ninguém, abordar a temática sem causar um estupor nas pessoas. Tratou o assunto com naturalidade, sem polemizar e lançar os holofotes para os problemas de preconceito que os homossexuais vivenciam no Brasil. Para falar a verdade, certas brincadeiras de mau gosto de seus colegas de sala que se caracterizam como bullying são muito mais pela sua condição física (cegueira) do que sua orientação sexual. 

O filme mostra basicamente três personagens principais, Leo (Ghuilherme Lobo), garoto cego de nascença e que busca sua independência dos pais muito protetores, Giovana (Tess Amorim), sua melhor amiga ciumenta e inseparável e Gabriel (Fabio Audi), novo aluno da sala que torna-se amigo dos outros dois. Por certos momentos o filme parece até um triângulo amoroso, com o interesse de Giovana por Gabriel e de Gabriel por Leo e finalmente a descoberta da homossexualidade do próprio Leo que se vê apaixonado por Gabriel, ufa!. Emoção, ciúmes, proteção, amizade, lealdade são alguns dos sentimentos que mais caracterizam o longa.

A problematização de como encarar a descoberta da sexualidade e como lidar com o preconceito de ser cego são deixados de lado para dar mais vida à adolescência e a questões que todas as pessoas têm de enfrentar em algum momento da sua vida. E é isso que Leo vivencia no filme. Na verdade, ele encara com muita naturalidade sua cegueira e até mesmo o fato de ser gay, como fica evidente ao final do filme quando sem receio de julgamentos ele se assume na escola dando as mãos ao Gabriel após as provocações dos colegas.

Leo, um garoto ingênuo e cheio de vida encontra com Gabriel uma forma de fugir do cotidiano tão bucólico e entediante. Com seu novo amor ele se arrisca a sair de madrugada escondido dos pais para ver um eclipse e até mesmo ir ao cinema, mesmo que seja para ouvir os diálogos sem entender nada. Sua vida tão sem cor ganha tonalidades pela primeira vez e, é assim que ele descobre seu primeiro amor. Os atores que dão voz aos personagens foram escolhidos sabiamente pelo diretor, pois não há exageros nas atuações, apenas pureza e simplicidade.

O filme não possui cenas escrachadas de sexo, nem chega perto disso. Um beijo, um toque, mãos dadas, insinuações sexuais de masturbação e ereção são alguns dos retratos mais evidentes da sexualidade que são mostradas nas telas. O suficiente para fazer o espectador imergir na história, sem choques e despido de preconceitos.

Por mais que algumas pessoas possam sentir falta de uma abordagem mais crítica no filme, o longa não se pretende assim. A narrativa trata de maneira delicada, sutil e normal a descoberta do amor nas suas mais variadas formas, independente da crença, cor e orientação sexual. O filme foi indicado para representar o Brasil como “Melhor Filme” no Oscar em 2015, agora resta saber se será nomeado entre os finalistas da categoria, por enquanto vale a expectativa e a torcida para que este lindo filme nos represente lá fora.

 
4.51111111111Rating 4.50 (1 Vote)
Facebook Fla 24Twitter Fla 24Linkedin Fla 24Googleplus Fla 24


Config
Filmes Brasileiros Off
Filmes Estrangeiros Off
Filmes Comedia Romantica Off
Filmes Acao Off
Filmes Infantis Off
Filmes Policiais Off
Filmes Faroeste Off
Filmes Medievais Off
Filmes Hq Off
Filmes Religiosos Off
Filmes Antigos
Filmes Musicais Off
Filmes Documentarios Off
Lista Filmes Off