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50 Tons de Cinza - 4.0 out of 5based on 1 vote

50 Tons de Cinza e mais de 50 reflexões a se fazer

50 Tons De Cinza

 Ano:2015
 Gênero:Romance
 Diretor:Sam Taylor-Johnson
 Atores:Dakota Johnson, Jamie Dornan, Jennifer Ehle

O filme mais visto do ano. Sabe-se que 40 milhões de brasileiros já foram às salas de cinema ver o filme e pode-se dizer que é o longa mais aguardado dos últimos tempos, uma vez que foi o livro mais vendido do ano superando até mesmo a saga Crepúsculo e o Código da Vinci nos Estados Unidos. Qual o motivo que explica tanta euforia por causa desse livro/filme? O público é bem controverso enquanto uns idolatram o livro outros odeiam, aparentemente não existe um meio termo e é tudo bastante polêmico. Muitas pessoas o rotularam como “Cinderela tarada” ou “pornô para mamães”, uma vez que traz cenas de erotismo, mas nada extremamente explícito, principalmente no filme. 

O frenesi causado por esse filme se deve basicamente por dois motivos. Primeiro, trata-se de um livro que é uma fanfik de Crepúsculo, ou seja, existem várias semelhanças com a saga e romance do vampiro (que vou expor mais adiante). Segundo, é um assunto tabu, pois trata – mesmo que de forma parcial, supérflua e em certos momentos até equivocada sobre o BDSM, ou seja, a prática do sadomasoquismo. O filme é basicamente um Crepúsculo para adultos, pois traz uma moça ingênua, com baixa auto estima que está se formando em Literatura Inglesa e nunca se envolveu em nenhum relacionamento (ou seja, virgem). Assim, a personagem é bem parecida com a Bella do Twilight. Ela não se enxerga realmente e não aflorou até então o seu lado mais feminino e sensual.

Do outro lado está Christian Grey, um bilionário, lindo, com corpo definido, poderoso, dono de um império e com gostos peculiares. Assim, ele se parece em vários momentos com Edward da série vampiresca. Ele se apaixona pela aparentemente “sem graça” Anastasia Steele e juntos eles vivem um relacionamento nada convencional. Ele quer que ela seja sua escreva sexual, sua submissa, pois ele é dominador e gosta de usar técnicas de sadomasoquismo nas mulheres, portanto ele é sádico. Já Anastasia quer um relacionamento normal com idas ao cinema, andar de mãos dadas e coisas do tipo. Assim eles meio que vivem um conflito.

Ele lhe apresenta um contrato para que ela assine garantindo sigilo absoluto sobre o relacionamento dos dois e ela hesita em assinar, inclusive, o filme termina e ela não assina. Mas, mesmo sem assinar eles têm relações sexuais e ela acaba deixando e se permitindo sentir todas as sensações que ele lhe proporciona em um misto de dor e prazer, mas, até que ponto é dor e até que ponto é prazer? Ingênua e inexperiente, a garota de 21 anos não sabe dizer ao certo o que está sentindo e isso vai se agravando com o passar do filme.

A questão é que não há nada de errado em se envolver com um homem mais velho, nem nada de errado em realizar sadomasoquismo quando consentido e prazeroso para ambas as partes. Porém, no caso do filme (e do livro), em vários momentos ela não parece saber bem onde está se metendo e não se sente à vontade com várias atitudes dele. Como se não bastasse ser um dominador na cama, Christian tem um temperamento e personalidade dominadora na vida e tenta controlar todos os passos dela, determinando o que ela deve comer, os médicos que deve se consultar, proibindo-a de beber bebida alcoólica e coisas do tipo para que ela esteja 100% saudável para “ele” usufruir do seu corpo.

Percebe-se que Christian é um machista possessivo, mas que, apesar de sua aparência bruta existe um coração e que ele realmente se apaixona por ela, mas está muito traumatizado para admitir e inclusive para deixar que ela a toque. Anastasia é simplesmente um objeto sexual, pois ela não pode tocá-lo e, por mais que isso a incomode, ela sempre cede às suas regras, mesmo desaprovando-as. Por outro lado, no filme percebemos que ela vai ganhando confiança com a situação e impondo certos limites, apesar de serem bem sutis. Na verdade essa impressão é mais palpável nas cenas finais do filme, em que ela resolve se afastar dele após ser chicoteada em uma sessão de sadomasoquismo ou pseudosadomasoquismo.

Aliás, se a intenção do filme era imergir nesse universo foi bem mal feito, pois exceto na última cena em que ele chicoteia ela, as outras cenas beiram o ridículo de tão infantil, pois o que ele faz nada mais é do que usar certo adereços e encostar seus brinquedos nela, passar pelo corpo, sem força nenhuma, completamente diferente do que acontece na vida real. Aliás, isso não seria um problema se o livro não fosse vendido, de certa forma, como uma propaganda de sadomasoquismo. O filme todo se desenrola bastante infantil, por mais que trate de sexo, isso não faz com que o filme seja maduro e se aprofunde em nenhuma questão. Por outro lado, as cenas sexuais até que são bem trabalhadas, porém se vê uma preocupação em não mostrar nada explícito. Talvez por conservadorismo, puritanismo é tudo muito velado, completamente diferente de Ninfomaníaca de Lars Von Trier, por exemplo, que não se importa em chocar o público e trata de questões muito mais profundas do que o romance.

Outra questão que feministas irão dizer e com toda razão é que Anastasia é presenteada constantemente por Christian e, apesar de não parecer que ele está querendo comprá-la necessariamente, ela acaba aceitando a contragosto e após isso cede aos seus desejos, o que é péssimo, pois pode dar a sensação de que foi tudo uma relação de interesses financeiros e materiais, o que provavelmente não foi a intenção da autora. A relação entre eles não é nada saudável, é algo que oprime, que suga todas as energias, diferente do que deveria ser um relacionamento, por mais que a princípio se resumisse a uma relação estritamente sexual. O filme, de certa forma, serviu para reforçar ainda mais os estereótipos de que os homens só se apaixonam por mulheres puras e que as garotas devem esperar pelo seu “príncipe encantado” que virá em um cavalo branco alado mostrar o mundo e como é o sexo. Uma pena, pois o filme poderia ser tão diferente e importante para pensar as relações entre homens e mulheres em um aspecto mais igualitário. Mas, não foi dessa vez...Veremos as continuações.

 
4.51111111111Rating 4.50 (1 Vote)
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